Lágrimas

Que sirvam as lágrimas para lavarem o coração.
Que entre uma e outra que escorre pela face uma ferida seja cicatrizada.
Que o pranto atenue as dores, cure o sofrimento.
Que depois de todo choro chorado.
Enfim seja possível acreditar de novo que a vida é bela.

Felicidade Poesia

Felicidade esta danada.
Enquanto tu estavas aqui,
Ela me fazia companhia,

Mas foi só te ver partir,
Felicidade foi embora,
Deixando  a casa vazia.

Quando há um aperto muito grande no coração.
Quando as palavras não encontram rima.
Quando os versos não fazem sentido.
Quando nem sabemos mais quem somos.
Quando a tristeza te faz companhia.
É chegada a hora de silenciar.
É chegada a hora de se recolher.
É chegada a hora de se resguardar.

Eu volto quando for possível novamente poetizar.

Você quer ser artista e me pergunta se para isso basta ter inspiração. Muitas pessoas ainda acreditam que a arte é o triunfo da inspiração. Elas imaginam que basta ao artista esperar a chegada da inspiração para realizar sua obra. Pois a história nos conta uma outra versão: o artista – pintor, escritor, escultor, músico – na verdade deve ter talento e uma grande dose de perseverança. Sem perseverança, nenhum talento triunfa. Muito menos a inspiração. Para ilustrar o que estou dizendo, gostaria de contar-lhe a história da realização de uma obra-prima artística.

No dia 1º de novembro de 1512, abriram-se as portas da Capela Sistina, no Vaticano, para que todos pudessem admirar os afrescos que o artista florentino Michelangelo Buonarroti tinha pintado no teto. Era uma maravilha! Eram cerca de 500 metros quadrados de área pintada, que se elevavam a uns 20 metros de altura. Lá em cima, em andaimes especialmente preparados, Michelangelo tinha passado quatro anos pintando e desenhando sozinho as cenas da história da Criação do Mundo!

Uma das cenas que pintou, a criação de Adão, tornou-se mundialmente famosa. Deus estende o braço direito e seu dedo está prestes a tocar o dedo de Adão para insuflar-lhe vida. Adão está encostado numa rocha e exibe um corpo perfeito, imagem da perfeição da obra de Deus. É uma cena emocionante.

douglas

Mas, para realizar essa obra-prima, Michelangelo não contou apenas com o seu talento. A pintura era uma encomenda do homem mais poderoso de Roma e do chefe da Igreja católica, o papa Júlio II. E Michelangelo foi obrigado a suportar seus momentos de impaciência e sua falta de pontualidade nos pagamentos. Teve de suportar ainda as críticas e intrigas dos invejosos rivais. Teve de aguentar as dores no corpo e a solidão. Enfim, foram quatro anos de sacrifícios e dificuldades, mas Michelangelo conseguiu superar tudo isso porque, além de talento, tinha uma qualidade fundamental: a perseverança.

Para provar a si mesmo e aos outros que era capaz de superar aquele desafio, Michelangelo teve de buscar, dentro de si, forças que nem mesmo ele pensava ter. É claro que, diante das pressões, várias vezes pensou em desistir do projeto. Mas cada dificuldade que surgia parecia fazer renascer dentro dele mais uma reserva de forças. Imagine a concentração desse homem, empenhado, durante anos, a criar as cenas e a pintá-las, sozinho! Calcule as dúvidas e incertezas que o atormentaram. No entanto, continuou até o fim, confiante em sua capacidade de criação e de trabalho.

Com Michelangelo, aprendemos que só o talento não basta. Há muitas pessoas talentosas, mas as que conseguem realizar-se são aquelas que sabem unir o talento à perseverança, à vontade de vencer. São aquelas que não veem as críticas como desestímulo, mas, ao contrário, como estímulo para prosseguir e superar as falhas.

Os grandes artistas, meu caro amigo, podem nos ensinar muitas coisas, além de arte.

Um abraço afetuoso

Crônica do Professor Douglas Tufano

“Rir de tudo é coisa de tontos. Mas não rir de nada é coisa de estúpidos.”

Quem disse isso foi um antigo filósofo holandês chamado Erasmo, que viveu no longínquo século 16. Mas, se vocês pensarem bem, essa é uma observação muito sábia sobre o comportamento humano. E vale tanto para o passado como para hoje, pois o ser humano não mudou.

Hoje em dia, muita gente ainda confunde seriedade com falta de humor. No entanto, uma pessoa séria não é aquela que vive de mau humor, incapaz de se permitir uma brincadeira.

Ser sério é saber encarar com responsabilidade aquilo que é importante. Mas nem tudo é importante na vida. Por isso, devemos aprender que há tempo para rir e tempo para ficar sério. Quem não sabe diferenciar um tempo do outro, diz Erasmo, ou é tonto ou estúpido.

E eu digo a vocês: saber rir de si mesmo é também uma prova de sabedoria e maturidade. Quem é muito severo consigo mesmo, sofre bastante, vive se mortificando, perde a auto-estima. Frequentemente, cai em depressão.

Mas saber rir de si mesmo significa saber reconhecer seus limites e estar consciente de que ninguém é perfeito. Ser autoindulgente, isto é, saber perdoar-se quando não conseguir alcançar alguma coisa, é uma grande qualidade numa pessoa. Devemos ser exigentes com nós mesmos, mas na medida certa. Um pouco menos, viramos pessoas irresponsáveis, que não levam nada a sério. Um pouco mais, nos suicidamos.

Quando alguém é capaz de rir de si mesmo, de não se levar exageradamente a sério, é capaz também de compreender melhor os outros, de não dar importância a coisas insignificantes; por isso, melhora seu relacionamento e torna-se uma pessoa agradável.

Por outro lado, quem gosta da companhia de alguém extremamente exigente, que quer tudo perfeitinho, que é tão implacável com relação a si mesmo quanto com relação aos outros? E, pior ainda, que não admite brincadeiras nem faz brincadeiras? Uma pessoa assim é insuportável.

Por isso, acho que tinha muita razão aquele filósofo holandês. Quem não ri de nada é porque não está entendendo nada. É estúpido mesmo. Tem muita dificuldade de perceber que a vida não pode ser calculada com precisão matemática e que as pessoas não são programadas. A vida tem seus imprevistos e suas contradições, nem tudo que planejamos pode dar exatamente certo. Por isso, devemos ter jogo de cintura para contornar as situações e humildade para reconhecer que nós também podemos dar vexames e provocar riso nos outros. E com nosso exemplo, os alunos podem aprender mais essa lição de vida.

“Nem todos podem estar na flor da idade, é claro! Mas cada um está na flor de sua idade.”

Esse comentário do saudoso poeta gaúcho Mário Quintana é mais atual do que nunca. Hoje em dia, vivemos numa sociedade que faz da aparência jovem o valor supremo. Parece que ficou feio envelhecer. E mais feio ainda declarar-se velho. A propaganda nos bombardeia a todo instante: seja jovem! mantenha-se jovem! vista roupas jovens!

A tirania da moda chega a fazer muitos pais usarem roupas juvenis, como se tivessem a idade de seus filhos. Tudo para tentar parecer jovem. Por que essa ânsia desesperada de querer ter a aparência de jovem? Por que esse medo da idade?

Mário Quintana nos lembra que cada idade tem sua beleza. E a sabedoria está em descobrir as diferentes formas de beleza que assumimos com o passar do tempo. E o bem mais precioso que devemos cultivar ao longo do tempo é a capacidade de olhar a vida com olhos sempre novos, de descobrir que, por mais que o tempo passe, sempre há tanta coisa para aprender, para descobrir. Manter-se jovem, na verdade, é conservar essa atitude de curiosidade diante da vida.

Hoje, os cientistas advertem que é preciso manter a mente ocupada. Deve-se ler, conversar, trocar idéias. Tudo isso ajuda a preservar nossa lucidez, mesmo na idade avançada. O cérebro também precisa de treino. Há quem se preocupe em malhar o corpo, horas a fio. Mas se esquece de malhar a mente, que vai atrofiando…

Na verdade, o ser humano sempre soube que era preciso treinar o cérebro. Tenho nas mãos um pequeno livro chamado “Saber envelhecer”, do escritor romano Cícero. Diz ele a certa altura: “Com a velhice, dirão, a memória declina. É o que acontece, com efeito, se não a cultivamos. Aliás, os velhos a conservam tanto melhor quanto permanecem intelectualmente ativos.” Isso escreveu Cícero, dois mil anos atrás! Realmente, não há nada de novo debaixo do sol.

Por isso, precisamos educar os jovens de modo que eles percebam que a passagem do tempo é inevitável, mas pode ser altamente gratificante se soubermos encará-la com sabedoria. É preciso incutir neles o sentido do tempo, para que aprendam a lidar bem com isso, sem temer o dia de amanhã. Somos seres temporais. E comparada à vida de alguns animais, a nossa existência é muito breve. Por isso, não podemos nos enganar.

Não devemos ter medo do tempo, pois é ele que nos ensina as coisas mais importantes da vida. É ele que nos permite perceber que a juventude é um estado de espírito, e não um estilo de roupa. O famoso pintor Pablo Picasso escreveu: “Leva-se muito tempo para ser jovem.” Ele, que morreu com 92 anos, sempre criativo e lúcido, sabia do que estava falando. Com o tempo, aprendemos a valorizar os momentos realmente preciosos da vida, sem nos perdermos em mesquinharias e bobagens, sem sermos arrastados pelas ilusões das aparências. E com isso nos mantemos jovens.

Os poetas dizem isso há muito tempo. Mas nós freqüentemente esquecemos: a vida é breve.

Palavras de amor, gestos de solidariedade, manifestações de afeto — nada disso pode esperar, pois a vida é breve. Não podemos correr o risco de deixar para depois aquilo que pode desaparecer de repente. Todos os dias tecemos um pedaço da trama da vida como se ela fosse eterna, pois não sabemos quando ela vai se desfazer.

A vida não termina; é interrompida. Não existe um enredo predeterminado para cada um de nós, com começo, meio e fim. Um dia, paramos subitamente no meio de um gesto, como uma cena de filme que de repente é congelada na tela. Para sempre.

Por isso, a morte, mesmo sendo a coisa mais banal do mundo, pois acontece a todo instante, em todo lugar, sempre nos surpreende. Já? Ninguém é tão velho que não possa viver mais um dia. Ninguém é tão jovem que não possa partir agora.

Um poeta italiano chamado Salvatore Quasimodo expressou essa idéia muito bem em três versos:

“Cada um está sozinho sobre o coração da terra

atravessado por um raio de sol.

E de repente é noite.”

 

O raio de sol que nos atravessa e ilumina dura um breve instante; de repente, é noite, não há mais sol, ninguém mais nos vê, mergulhamos na sombra.

Por isso, não economize seus gestos de amor, não deixe de expressar o afeto que sente pelos outros, não cale a palavra amiga, não evite o abraço que conforta, o elogio que estimula e faz renascer a esperança.

Não espere uma data determinada, uma ocasião especial. Todo dia é dia de viver, como diz a canção. E há sempre alguém à espera.

Os poetas dizem isso há muito tempo. Mas nós frequentemente esquecemos: a vida é breve.

(Douglas Tufano)

Um centro de educação e cultura voltado à reflexão, ao cruzamento de https://s3-media1.fl.yelpcdn.com/bphoto/0cR926IzCxeB77qjH0OgHg/ls.jpgdisciplinas e ao prazer do conhecimento. Um espaço dedicado a pessoas que sentem necessidade de expandir o repertório cultural ou aperfeiçoar a formação profissional, orientadas pelo rigor dos grandes especialistas. Com wireless disponível em todos os ambientes, é também opção para a realização de eventos culturais. O local escolhido, a Vila Madalena, é bem abastecido de transporte coletivo, oferece boas opções de atividades de cultura e lazer e é conhecido pela livre circulação de ideias.    CULT MOSTRA Espaço de integração destinado a exposições de arte.
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O Núcleo de Altos Estudos é um novo centro de debates e pesquisa em São Paulo. Procura fornecer espaços de visibilidade e trabalho para intelectuais consagrados, assim como expoentes da nova geração e terá, como uma de suas atividades, a organização de simpósios sobre temas maiores para o pensamento contemporâneo.
NÚCLEO DE COMUNICAÇÃO Com programação destinada à instrumentalização e à especialização profissional, o Núcleo de Comunicação oferece cursos, palestras e oficinas com o objetivo de capacitar os alunos para o exercício do jornalismo e de relações públicas em vários segmentos. Os palestrantes são professores das melhores instituições de ensino do país e editores com sólida carreira jornalística. Sua programação é especialmente elaborada para estudantes e graduados interessados em aperfeiçoamento.
Especial: Projeto Grandes Artistas  Duas vezes por mês, um profissional de imprensa conduz entrevista pública com representante do cenário musical brasileiro. Os artistas convidados possuem obra de referência consolidada, percurso consistente e valiosa contribuição para o enriquecimento da cultura brasileira.
Desenvolvida pelo Núcleo de Comunicação, a atividade proporciona a estudantes de comunicação e a interessados em geral o conhecimento prático das técnicas da entrevista jornalística.
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Espaço Revista CULT

Diretoria  Daysi Bregantini Dejair Bregantino Marcos Fonseca Fernanda Paola
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Conselheiros Alexandre Martins Fontes, Cassiano Elek Machado, Gunter Axt, Vladimir Safatle, Marcia Tiburi, Danilo Miranda, Kathrin Rosenfield, Marcos Flamínio Peres,  Welington Andrade

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Horário de Funcionamento: 

de segunda a sexta, das 11h30 às 20h30; sábado, das 10h às 14h.

INVERSÃO DE PAPÉIS

Nada por aqui está mais como antes:
No ar, o revoar dos elefantes;
Pássaros ao chão em sons dissonantes;
O crescer desordenado dos infantes.

Nos rios, lampejos mil, alucinantes;
Nas nuvens, águas negras abundantes.
Nos campos, flora e fauna destoantes;
As pessoas vivendo como errantes.

Que está acontecendo, meu Deus do céu?
Por que essa tamanha inversão de papel?
Bom virando réu, mal bem para dedéu!

Decoro e honestidade sempre ao léu;
A natureza indo pro beleléu!
Difícil para alguém titrar o chapéu!

http://web.archive.org/web/20130601233852im_/http://remisson.com.br/wp-content/themes/sahifa/timthumb.php?src=/wp-content/uploads/2013/03/remisson.jpg&h=330&w=660&a=c

O professor Paulo Franchetti, crítico literário e diretor da Editora  Unicamp, enviou-me um exemplar do seu belo livro de poemas DESTE LUGAR, publicado pela Ateliê Editorial em 2012 e, junto, enviou-me um cartão de apresentação, gentileza que muito agradeço.

Os poemas são ótimos, o livro tem excelentes acabamento e apresentação e recomendo a todos que o leiam… e se surpreendam.

 

PARASSE

de falar:

ainda assim,

buscaria

o ouvido,

o abrigo.

Parasse

de desejar:

não deixaria

de esperar

a inalcançável

graça.

Parasse

de pensar:

a memória

da destinação

persistiria

nisto”

 

Paulo Franchetti

*

Remisson Aniceto